15 de julho de 2024 18:23

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ARTIGO | O QUE BUSCAM OS ALUNOS DA PERIFERIA DE PALMAS?

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ARTIGO | O QUE BUSCAM OS ALUNOS DA PERIFERIA DE PALMAS?
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A periferia de qualquer capital é sempre considerada o lar de muitas famílias que se esforçam e dedicam seus dias para conseguir o básico para sobreviver, claro que quando nos referimos a grandes metrópoles como São Paulo, Rio e Belém que são quase tão antigas quanto o próprio Brasil, essa realidade é absurdamente maior, dada a proporção do crescimento habitacional e urbano. Entretanto, em Palmas com pouco mais de 30 anos (de um Estado que nasceu apenas 1 ano antes), já temos sim nossas histórias de periferia.

As famílias de bairros como as da Capadócia, Santa Fé e assentamentos, localizados ao sul de Palmas, são aqueles exemplos de pessoas simples, humildes, que muitas vezes estão à mercê da violência e insegurança enquanto lutam para manter suas crianças na escola. Os jovens e as crianças desses bairros periféricos precisam se preocupar com a frequência escolar, tarefas de casa, material básico para estudo e as temidas provas. Grande parte dos alunos que compõem as turmas do ensino fundamental anos finais, quando não experimentam a reprovação (por mais de uma vez), por frequência e notas abaixo da média, acabam simplesmente abandonando e preferindo fazer outra coisa.

Os problemas, por vezes, aumenta quando as oportunidade de fazer “outra coisa” não são muito atrativas, alguns adolescentes acabam se engajando na profissão dos pais, geralmente algum trabalho manual e pesado, na área da construção civil e até pequenos “bicos”, mas, o atrativo pelo retorno financeiro mais rápido, assim como o desejo de se auto afirmar, enquanto uma pessoa que não abaixa a cabeça para ninguém (principalmente os mais abastados da classe média), alguns acabam se envolvendo com o crime, primeiramente, pequenos furtos, até o ponto de realmente se tornarem um risco, não apenas para essas pessoas de vida um pouco melhor do que a deles, em bairros vizinhos, mas também com os próprios moradores locais, que têm o pouco que conseguem na vida, tirado de si.

As escolas acabam se tornando um ponto de encontro de crianças e adolescentes que não possuem tanta estimativa de futuro, muitos pais e mães nem sabem o que fazer, pois não concordam com as atitudes dos filhos, mas possuem pouca influência sobre isso. Para os pais resta apenas as orações para não receber a notícia da morte de seu filho. Pois o fator mais imperativo, que ainda não citei, são a venda e consumo de entorpecentes, que por vezes acaba ocorrendo nos portões e até dentro de escolas mais periféricas, questões sobre a venda e o consumo acabam causando desavenças com outros bandidos e com a polícia militar, muitas vezes resultando na morte prematura de jovens.

A solução para essa realidade que se repete em outros locais periféricos de Palmas e até outras cidades tocantinenses, está em apresentar mais oportunidades através dos estudos, que ainda são os meios mais seguros e estatisticamente eficazes de construir caminhos para longe da miséria e violência. Os incentivos do governo até ajudam, em certa medida, mas para uma geração que recebe informações em tempo real, sobre tecnologias e geração de renda, apenas dizer para que o aluno fique na escola, não é mais o suficiente. É necessário trazer motivos palpáveis para permanência na escola, meios de já iniciar uma carreira, através de incentivos para formação de profissionais (ainda que técnicos), para que o futuro se torne algo menos fantasioso e mais palpável.

Professor Wesley Santos
Pesquisador, Pedagogo

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