O Tocantins registrou 1.080 vítimas de estupro e estupro de vulnerável em 2025, segundo o 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026. O total ficou praticamente estável em relação ao ano anterior, com variação negativa de 0,6%.
Com uma taxa de 68,1 vítimas por 100 mil habitantes, o estado ocupou a sexta posição entre as unidades da federação com os maiores índices do país. À frente do Tocantins aparecem Roraima, Rondônia, Acre, Amapá e Mato Grosso do Sul.
A maior parte das ocorrências foi classificada como estupro de vulnerável. Foram 879 vítimas nessa modalidade, o que corresponde a uma taxa de 55,4 casos por 100 mil habitantes. O crime envolve menores de 14 anos ou pessoas que, por alguma condição, não possuem capacidade legal para consentir. De acordo com o levantamento, mais de 80% das vítimas desse grupo são meninas.
Os casos classificados apenas como estupro somaram 201 vítimas no estado. Nesse recorte, houve crescimento de 12,2% em comparação com 2024.
Entre as mulheres, o anuário contabilizou 922 vítimas em 2025. A taxa chegou a 116,9 casos por 100 mil mulheres, resultado que também colocou o Tocantins na sexta posição do ranking nacional.
O estudo também analisou os registros envolvendo crianças e adolescentes. Na faixa etária de 0 a 17 anos, foram registradas 739 vítimas no Tocantins, número menor que o observado no ano anterior. Apesar da redução, o relatório aponta que a violência sexual contra menores continua exigindo atenção dos órgãos de segurança e da rede de proteção.
Além dos números, o anuário identificou problemas na classificação de algumas ocorrências policiais no estado. O Tocantins aparece entre as unidades da federação que registraram autores de violência sexual contra menores de 14 anos como “companheiro” ou “ex-companheiro” da vítima.
Segundo o documento, esse tipo de enquadramento contraria a legislação brasileira, que considera vulnerável toda pessoa menor de 14 anos, independentemente da existência de relacionamento ou de suposto consentimento.
Outra inconsistência encontrada envolve casos com vítimas menores de 14 anos registrados como estupro comum. Pela legislação, ocorrências nessa faixa etária devem ser enquadradas obrigatoriamente como estupro de vulnerável.
| Posição | Estado | Taxa por 100 mil habitantes |
|---|---|---|
| 1º | Roraima | 127,1 |
| 2º | Rondônia | 97,1 |
| 3º | Acre | 96,6 |
| 4º | Amapá | 89,6 |
| 5º | Mato Grosso do Sul | 79,5 |
| 6º | Tocantins | 68,1 |
| 7º | Pará | 61,7 |
| 8º | Mato Grosso | 60,0 |
| 9º | Paraná | 58,4 |
| 10º | Santa Catarina | 56,5 |
No cenário nacional, o Tocantins está entre os oito estados com as maiores taxas de violência sexual. Sete deles fazem parte da Amazônia Legal. Embora não tenha fronteira internacional, o estado compartilha características observadas na região, como o avanço da atividade agropecuária e a circulação intensa em corredores rodoviários.
O anuário aponta que essas condições podem contribuir para a dinâmica da violência sexual, embora não sejam apresentadas como causas isoladas dos crimes.
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