O Ministério da Saúde registrou, de segunda-feira (23) para esta terça (24), 310 novos casos de Covid-19 no Brasil. No total do Ministério da Saúde, são 2.201.

As Secretarias Estaduais de Saúde contavam mais 46, até 20h. Com isso, são 2.247 casos confirmados.

De segunda para terça, o número de mortes confirmadas subiu de 34 para 46.

O Ministério da Saúde ampliou para quase 23 milhões o total de testes que pretende oferecer para identificar o coronavírus.

Na saída de mais uma reunião no Palácio do Planalto, o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, criticou decisões de alguns governadores que, segundo ele, atrapalham mais do que ajudam.

Era uma referência a medidas de isolamento e restrição de atividades econômicas adotadas em alguns estados, que seguiram condutas de outros países que estão enfrentando a pandemia.

“Esse travamento absoluto do país para a saúde é péssimo. Eu continuo precisando fazer pré-natal e tem médico fechando consultório. Daqui a pouco eu isto lá cuidando de um vírus e cadê meu pré-natal? Cadê o cara que está fazendo a quimioterapia? Cadê o pessoal que está precisando fazer o diagnóstico? Cadê as clínicas de ultrassom?”, perguntou Mandetta.

A Anvisa transferiu para os órgãos estaduais de Vigilância Sanitária o poder de definir os critérios para limitar a circulação em rodovias durante a crise do coronavírus. Medida provisória editada na semana passada estabelecia que isso ficaria a cargo do governo federal.

Agora, isso mudou. Os estados vão poder definir quando isso será necessário. A mudança vai na mesma linha de uma decisão do ministro Marco Aurélio Melo, do Supremo Tribunal Federal, que nesta terça-feira determinou que estados e municípios vão poder criar regras para quarentena e isolamento.

O governo disse que as medidas de distanciamento social já começam a fazer efeito em alguns lugares do Brasil e manteve a recomendação. A preocupação é avaliar até quando manter essas medidas de contenção da epidemia.

“O surto ou a epidemia ou a pandemia tem um ciclo natural e só vai começar a reduzir o número de casos quando nós tivermos pelo menos 50% da população já com contato com a doença. Portanto, as recomendações do Ministério da Saúde continuam a que nós estabelecemos já em portarias anteriores, a recomendação do Ministério da Saúde é para que todas as pessoas sintomáticas aguardem em casa, fiquem em casa, fiquem em isolamento domiciliar, juntamente com todos os seus familiares, por um período de duas semanas. O ministério ainda recomenda que todas as pessoas com mais de 60 anos permaneçam nas suas residências e só saiam da sua residência para atividades que são necessárias, extremamente importantes como, por exemplo, consultar, fazer hemodiálise, buscar atendimento médico, comprar alimentos”, afirmou o secretário-executivo do Ministério da Saúde, João Gabbardo dos Reis.

O Brasil registrou o primeiro caso de Covid-19 no dia 26 de fevereiro. No dia 15 de março, eram 200 casos; três dias depois, 428; na sexta-feira (20), 904; na segunda-feira (23), 1.891; e nesta terça já são 2.201 casos confirmados.

“Nós vinhamos trabalhando com um índice que seria baseado na evolução dos demais países, de um acréscimo no número de casos confirmados de 33% por dia. Isso significa que a cada três dias nós teríamos um número de casos dobrado, multiplicado por dois. Isso tem acontecido. Diariamente nós estamos acompanhando isso e nós estamos ficando abaixo, geralmente abaixo dos 33%. Então, a curva de crescimento está muito dentro daquilo que nós esperávamos, dentro da nossa expectativa”, disse Gabbardo.

O governo anunciou que vai comprar 22,9 milhões testes de coronavírus. Desses, 14,9 milhões serão do tipo usado hoje no Brasil.

Três milhões serão adquiridos por meio da Fiocruz ; 1,3 milhão foi comprado de empresas privadas ; 600 mil serão doados pela Petrobras; e dez milhões o governo ainda negocia e quer comprar no mercado nacional e internacional .

O governo ainda quer mais oito milhões de testes rápidos, cujo resultado sai em 15 minutos. Desses, cinco milhões serão doados pela empresa Vale e três milhões serão fornecidos por meio da Fiocruz.

“O Ministério da Saúde amplia testes para profissionais de saúde e segurança. Nós teremos dois testes diferentes disponíveis para a sociedade. O RT-PCR é um teste molecular, que detecta o vírus na amostra nos primeiros dias da doença. O teste rápido é um teste que é feito na ponta do dedo, uma gotinha, para verificar os anticorpos, para saber se eu tive contato com o vírus e assim tomar medidas de vigilância. Então, neste momento, nós definimos a aplicação dos testes, este teste de sorologia, em profissionais de saúde e segurança, além da verificação de casos graves e óbitos no caso do RT-PCR”, disse o secretário de Vigilância em Saúde, Wanderson de Oliveira.

Com mais testes, o governo pretende melhorar o diagnóstico em cidades de mais de 500 mil habitantes para tentar isolar os infectados e conter o surto e quer usar laboratórios de outros órgãos públicos.

“Embrapa, Ministério da Agricultura, Polícia Federal, estamos negociando com esses parceiros para emprestar as suas máquinas para que a gente possa rodar o maior número de testes. O esforço é hercúleo, estamos enfrentando uma pandemia, possivelmente a maior pandemia deste século”, afirmou Wanderson.

O governo também diz que vai conseguir aumentar o número de leitos de UTI destinados a pacientes com o novo coronavirus. O secretário-executivo chegou a comparar o número de leitos no Brasil com alguns países da Europa.

Segundo ele, a Alemanha tem em média Três leitos para cada dez mil habitantes; a França, um; a Itália, menos de um leito para cada dez mil habitantes; Reino Unido, menos ainda; e o Brasil, 2,62.

“O Brasil, que não tem estrutura nenhuma, tem um sistema de saúde que não funciona, que é precário, tem 2,6 leitos de UTI, antes da ampliação. Só o estado de São Paulo tem mais leitos de UTI que toda a França. Só o estado de São Paulo tem quase o dobro de leitos que toda a Itália. Só o estado de São Paulo tem o dobro de leitos de UTI que o Reino Unido. Esses países tiveram muita dificuldade em atender as demandas por pacientes que precisam de respirador e que precisam de leito de UTI. O Ministério da Saúde, o governo está se preparando para isso. Nós vamos ter dificuldades, mas nós não vamos desmoralizar o nosso sistema de saúde. Ele é organizado, ele é robusto e está preparado para enfrentar essas adversidades”, declarou Gabbardo.

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